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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Corte de unhas - Cão e Gato

Bom dia
Hoje venho falar do que é para muitos donos e animais um "bicho de sete cabeças", o corte de unhas.

A maioria dos animais não gosta que lhes mexam nas patas. Por isso é necessário ir com calma.

Comece por preparar o material necessário , que é para quando chegar a hora não ter de andar a procura, deixando o animal ainda mais nervoso.
Tente começar logo desde bebé a ter hábitos de higiene regulares, mesmo que não necessite mexa nas patas regularmente.

Tenha em atenção que gatos que vão a rua regularmente não se lhes deve cortar as unhas pois podem ter de se defender de outros animais, sem contar que têm o desgaste natural.
Nos cães que vão habitualmente à rua, em principio não será necessário cortar as unhas pois gastam-se naturalmente.

Em ambos os casos, seja cão ou gato que gaste naturalmente as unhas verificar na mesma com frequência se têm cortes, corpos estranhos ou parasitas entre os dedos das patas.

Material a ter consigo:
- Alicate ou cortador de unhas para cão ou gato (consoante o animal)
- 1 Lixa para unhas de cão ou gato (as nossas de cartão também servem)
- Pó Hemostático ou amido de milho (para ser utilizado em caso de sangramento)
- Tesoura
- Biscoitos, "latinha", ou seja, um miminho para o final

Começando com cão:

Corte correto de unhas
Comece a fazer festinhas e a mexer nas patas calmamente, observando as unhas e entre os dedos na parte interior da pata a fim de detetar alguma ferida, ou parasita. Veja o comprimento das unhas e até onde pode cortar. (Veja imagem explicativa)
Se a unha for preta é mais complicado, mas não impossível, corte apenas as pontinhas e vá fazendo esse corte regular.
Vá cortando e falando calmamente com o seu animal.
No final se vir excesso de pelos entre os dedos corte com cuidado, a fim de evitar futuros problemas de pele ou que ele comece a "ratar" os pelos a pontos de se ferir.
Por fim, dê-lhe uma recompensa, seja comer húmido, seja biscoitos, ou mesmo grãos de ração como miminho.

Começando com gato:
O "meu" Rafa
Bicho difícil a maioria das vezes. O procedimento é igual ao dos cães basicamente, a diferença é que os gatos têm unhas retrácteis, ou seja, estão para dentro e temos de as meter para fora.
Pressione a pata do seu gato entre o seu dedo e o polegar para fazer sair a garra. Corte apenas a zona transparente da garra.
No final, tal como aos cães dê o miminho preferido do seu gato.

Caso tenha um gato mais "complicado", meta-lhe uma meia (não muito apertada) na cabeça, isso os fará ficar desorientados e não lutar tanto; Caso seja daqueles "demoníacos" como o meu gato, enrole cuidadosamente numa mantinha e tente meter apenas a pata que está a cortar as unhas de fora.
Espero que tenham gostado do artigo.
Até a próxima

Cláudia

Imagem: Corte de unhas

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Lagarta do pinheiro (e cedro) ou processionárias - CUIDADO!!!

Boas
Como já vamos em finais de Janeiro já devem de andar por ai algumas "processionárias", ou se não andam pouco deve faltar.

Deixo de seguida uma breve explicação e alguns cuidados a ter, principalmente com animais e crianças pois são curiosos por natureza.
 
Nesta altura não leve os seus animais a passear em zonas com pinheiros (pinhais) ou com cedros pois são locais propícios a esta praga. O mesmo se aplica aos passeios em família e caminhadas.
Tenha em conta que não é apenas na rua que podem existir pinheiros, no nosso próprio quintal ou quintal do vizinho pode existir um pinheiro, o qual nunca nos lembramos pois não é na rua.
 
Espero que esta publicação possa ajudar alguém.
Beijinhos
 
"A lagarta do pinheiro, designada também como processionária, denomina-se como Thaumetopoea pityocampa e para além de destruir a floresta pode causar graves problemas de saúde pública.

Esta praga, além do pinheiro bravo, ataca igualmente outros pinheiros: o silvestre, o laríceo, o manso, o insígne, e o pinheiro de alepo, assim como Cedrus Atlântica, Cedrus Deodara e Cedrus do Libano, como foi comprovado em matas nacionais.Esta lagarta encontra-se disseminada por todo o País, não sendo raro observarem-se os seus estragos em qualquer região de pinhal. Até nas grandes altitudes, o que para certas pragas e doenças constitui uma barreira, iremos encontrar a "processionária" a viver normalmente .
 
 
Entre Janeiro e Maio, as processionárias abandonam o pinheiro para se
enterrarem no solo, na sequência do seu ciclo de desenvolvimento. Deixando o seu hospedeiro em fila como uma procissão ( daí o seu nome) dirigem-se em direção ao solo onde irão continuar o seu desenvolvimento.
Entre Agosto e Setembro nascem as lagartas propriamente ditas que se agrupam em ninhos na copa dos pinheiros, de forma a manter o calor e de onde saem à noite, ligadas por um fino fio de seda que utilizam para regressar ao ninho após as suas sortida.
 
Estas lagartas possuem 8 recetáculos com cerca de 120.000 pelos urticantes. A lagarta ao mover-se abre estes recetáculos libertando milhares destes pelos e aumentando a possibilidade de intoxicação de um animal ou de uma pessoa que entre em contacto com eles. Os pelos agem como agulhas, injetando as substâncias tóxicas na pele ou mucosas. Os cães, devido a cheirarem ou morderem as lagartas movidos por curiosidade natural e as crianças por brincadeira, são os principais afetados, na cabeça em especial, olhos, mucosa oral e muito geralmente a língua.
Caso tenha pinheiros em casa ou nos arredores deve ter em conta que o problema que afeta o seu cão pode dever-se a esta situação. A necrose ( morte) dos tecidos ocorre geralmente e a sua gravidade em alguns casos leva a que a única alternativa para o animal seja a eutanásia pois será impossível a sobrevivência com um mínimo de qualidade de vida.
 
Não é necessário um contacto direto entre a larva e o animal para este último ser afetado, pelo que o simples ato de farejar os pelos urticantes pode causar danos ao animal.
A intoxicação por processionária assume um carácter sazonal, dependente do clima da região, verificando-se uma maior percentagem de casos durante a Primavera e Verão.
A principal via de contacto dos cães com a processionária é cutânea, podendo ser também digestiva e ocular.
No cão, os lábios, a mucosa oral e a língua são as partes do corpo mais afetadas.
 
SINAIS CLINICOS E LESÕES (variáveis e de carater evolutivo)

- a língua – é o órgão mais afetado, aumenta de volume, torna-se azulada e com a evolução surgem áreas de necrose(pretas) podendo ocorrer, no local de contacto, perda dos tecidos num período de 6 a 10 dias. Consecutivamente o animal pode apresentar apatia, falta de apetite ou dificuldade na preensão dos alimentos
- a face - intenso prurido (comichão ) e edema (focinho “inchado”),
- salivação excessiva
- olhos – em caso de contacto com a mucosa ocular o animal pode apresentar “olho azul” (edema da córnea), fobia à luz, prurido ocular, etc.
- sinais sistémicos - são mais raros, porém possíveis, existindo relatos de choques anafiláticos, tremores musculares, coma e mesmo morte do animal.

Nestes casos recomenda-se o tratamento sintomático, que passa inevitavelmente pela lavagem da zona afetada, a administração endovenosa de corticoesteroides, antibióticos e analgésicos, podendo no entanto ser necessário cuidados adicionais.
Dependendo do caso pode ser necessário uma cirurgia da língua com o objectivo de corrigir os defeitos linguais e facilitar a ingestão de água e alimento.
O prognóstico é reservado, apesar da maioria dos casos apresentar uma evolução favorável
 
Caso se depare com um ninho ou local com lagartas do pinheiro pode e deve contactar as autoridades responsáveis pelo ambiente da sua área de residência a alertar para a situação.
Na área de Cascais pode ligar para o Centro de Atendimento da Cascais Ambiente | Linha verde 800 203 186, das 9h00 às 17h00, de segunda a sexta-feira | linhaverde@cascaisambiente.pt

Se houver contacto: 
Humano -  Lave a zona afetada com sabão e dirija-se ao hospital
Animal - Se o contacto for com um animal leve-o o mais rapidamente possível ao veterinário

De qualquer das maneiras caso encontre as lagartas ou ninhos nunca deve tratar deles sozinhos, mas se o decidir fazer proteja-se bem e queime os ninhos e lagartas num local que mal comece a arder se possa tapar até estar tudo bem assente, não varra o chão é preferível lavar, mas com muito cuidado pois os pelinhos das lagartas são tóxicos e soltam-se facilmente e como são leves podem andar pelo ar.
  
Fonte 1
Fonte 2
Fonte 3
Fonte 4
Imagens
Ninho lagarta 
Lagartas
Necrose lingua
 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cão do Barrocal Algarvio - atualizado

Foi aprovado no dia 8 de Dezembro de 2015 em assembleia geral do Clube Português de Canicultura o escalão provisório do Cão do Barrocal Algarvio sendo assim a 11a Raça Portuguesa.
 


Cão do Barrocal Algarvio
“Ao longo de gerações, o Cão do Barrocal Algarvio foi identificado, por caçadores e não só, como "cão abandeirado", "fraldado", "Felpudo" ou "guedelhudo", devido à forma da sua cauda e pelo comprido e macio.
Excelente caçador, tanto na caça menor como nas montarias, o Cão do Barrocal Algarvio foi usado ao longo dos tempos pelos caçadores do Algarve, sem que alguém tivesse reparado na sua especificidade e personalidade e com potencial para futuro reconhecimento de mais uma raça portuguesa.

A partir dos anos 60 do século XX e com a massiva introdução e utilização de cães de parar, este cão típico do Algarve, esteve à beira da extinção; restaram alguns exemplares nas matilhas e em focos, posteriormente identificados, do Barrocal.”
 
 “O Cão do Barrocal Algarvio apresenta as seguintes características morfológicas:
- Cabeça – bem levantada, leve e fina, com stop ligeiramente pronunciado. O crânio é ligeiramente mais curto que o chanfro nasal;
- Olhos – semi-oblíquos em forma de amêndoa, devido à grande intensidade solar que se faz sentir na região que lhe dá origem. O castanho é a cor predominante;
- Orelhas – com implantação alta, eretas e pontiagudas em forma de pirâmide;
- Pescoço – seco e de médio comprimento;
- Linha dorsal – semi-arqueada;
- Tórax – de média profundidade, chegando aos codilhos ou ligeiramente mais abaixo, o que lhe permite grande resistência na caça;

- Membros – secos, fortes e aprumados;
- Ventre – ligeiramente arregaçado;
- Cauda – comprida, chegando abaixo dos corvilhões, de pelo liso e comprido que, em ato venatório ou alerta, forma uma bandeira, daí a designação de Cão Abandeirado.
- Pêlo – liso e médio, muito macio, sem sub-pêlo, razão pela qual é designado de Felpudo, Lanudo ou Fraldado.
- Cores – mais frequentes são os amarelos (claro, escuro e fulvo), preto, castanho (claro e escuro), branco unicolor ou malhado, conjugando qualquer das cores anteriores;
- Altura – Macho 45/55 cm; fêmea 40/50 cm;
- Peso – Macho 20/25 kg; fêmea 15/20 kg.

 
Origem
A origem do Cão do Barrocal Algarvio apontará provavelmente, a exemplo de outras raças conhecidas, para os tempos faraónicos nos quais se diz ter existido um galgo - o galgo egípcio - que foi difundido por toda a bacia mediterrânica, por fenícios e berberes.
Ao certo, sabe-se que conheceu grande prosperidade entre os habitantes do Algarve, a região mais a sul de Portugal continental, sobretudo a nível da sub-região do Barrocal, que apresenta características geofísicas sui generis.
A tradição oral, única fonte que nos diz algo sobre a origem desta raça, aponta para épocas de muitas gerações atrasadas. Algumas dessas fontes, que consideramos seguras, relatam-nos informações, transmitidas de geração em geração, cujo alcance temporal ultrapassa seguramente os duzentos anos.
Geograficamente, embora esta raça tenha proliferado em toda a região algarvia, serão de destacar as áreas do Barrocal pertencentes aos Concelhos de Loulé, São Brás de Alportel, Faro, Tavira, Lagoa, Silves e Albufeira (entre outros) e, muito particularmente, as Freguesias de Estói, S. Brás de Alportel, Santa Catarina da Fonte do Bispo, Santa Bárbara de Nexe e S. Bartolomeu de Messines.
Infelizmente, como aconteceu com outras raças portuguesas, também o Cão do Barrocal Algarvio esteve condenado ao desaparecimento. O principal problema terá sido a forma indiscriminada como, desde os anos 60, vários cruzamentos foram sendo feitos, diminuindo em muito o número de exemplares que, nos anos cinquenta, se calculava em cerca de três mil e quinhentos.
No entanto, apesar de todos estes problemas, o Cão do Barrocal Algarvio resistiu e afirmou a sua raça, felizmente ainda a tempo de alguém ter pensado em ajudá-lo.
 
Habitat
A origem do cão típico do barrocal algarvio perde-se na memória das gentes e terá resultado de cruzamentos bem sucedidos entre vários tipos de cães. Parece não restarem dúvidas que, ao longo de muitos anos, o homem do barrocal forjou um cão com temperamento próprio e perfeitamente adaptado e eficiente nos terrenos mais inóspitos, como é a sua região de origem.
Esta sub-região do Algarve, comprimida entre o Mar e a Serra, caracteriza-se pela existência de solos calcários, bastante pedregosos, sobretudo à medida que aumenta a altitude, onde apresenta bastantes afloramentos rochosos. O estrato arbóreo, designado Pomar de Sequeiro, é constituído por alfarrobeiras, figueiras, oliveiras, amendoeiras e zambujeiros. O mato, extremamente denso, é predominantemente composto por estevas, sargaços, rosmaninhos, loendros, tojos, silvas, urzes e giestas.
Estas são as condições naturais para a proliferação do coelho bravo.
Este foi o habitat onde ao longo de gerações de caçadores, de espingarda ou pau, se foi apurando o instinto caçador do Cão do Barrocal Algarvio, cujas características em termos de rapidez e objetividade lhe permitem transformar a espingarda num objeto de pouca utilidade. Em norma chega antes do tiro.
O Cão do Barrocal Algarvio é um cão de caça por excelência que não despreza os novos desafios. Atualmente algumas matilhas do Algarve utilizam-no com grande sucesso na caça maior. É rápido, agressivo e um trabalhador incansável.
Um cão com um passado sombrio e um futuro risonho.”